Aos meus amores
Olho para os teus olhos que riem para mim e quase não sou capaz de te negar esse capricho que ao qual, mais uma vez, tentas que eu sucumba. Atiras-te para o chão e nem sentes que te magoas, aos teus braços que esbracejam, às tuas pernas que esperneiam e à minha alma que se sente ferida e culpada. O instinto diz-me que deva ser imperativo e te deixe escolher quem é o porto seguro a quem recorrer quando sentes não ter alternativas. Pareço-te o “mau”, aquele que não te dá espaço nem o tempo que queres para o que instintivamente sentes que é o teu espaço e o teu tempo… as tuas coisas.
És mais do que um, és subconjunto de um conjunto de três, do qual também faço parte. Não me queres partilhar mas digo-te que tudo fazemos em conjunto, nada é para ti, é para todos. Reages como se o mundo girasse ao teu redor, parece-me que esqueces que somos mais mas surpreendes-me com o teu carinho espontâneo, quando corres para mim num xi-coração rechonchudo e um beijo cheio de barulho.
O espaço que os pingos da chuva permitem, dão-me o tempo que preciso para alimentar as baterias que a vossa energia consome, a que faz os teus caracóis serem mais redondos, o branco dos teus olhos ser mais luminoso e a tua pele ser mais dourada.
Amores como os meus tem-nos quem os ama como eu…